Caso Cristiane Tirloni: STJ mantém decisão que leva acusado a júri

Montagem/RepórterMT

O ex-policial militar Almir Monteiro dos Reis será julgado pelo Tribunal do Júri pelo assassinato da advogada Cristiane Castrillon da Fonseca Tirloni, morta em agosto de 2023, em Cuiabá. A decisão foi mantida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que rejeitou o recurso da defesa e determinou o retorno do processo à Justiça Estadual.

O recurso especial apresentado pela Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso alegava que Almir sofre de esquizofrenia e, portanto, seria inimputável. No entanto, o ministro Otávio de Almeida Toledo, relator do caso no STJ, considerou que a revisão da decisão exigiria o reexame de provas — procedimento vedado no âmbito do recurso especial. A decisão transitou em julgado no último dia 27 de junho.

O magistrado reforçou que os laudos periciais anexados ao processo atestam que, apesar do diagnóstico psiquiátrico, Almir não apresentava surto psicótico no momento do crime. Dessa forma, segundo o entendimento da Justiça, ele era plenamente capaz de compreender a gravidade dos atos cometidos.

A defesa foi criticada por apresentar argumentos considerados genéricos e por não rebater de forma específica os fundamentos adotados pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que já havia determinado o julgamento pelo Tribunal do Júri.

Com a negativa do STJ, o processo segue na Justiça Estadual, que deverá marcar nos próximos meses a data do julgamento popular.

Relembre o caso

Cristiane Tirloni foi assassinada no dia 13 de agosto de 2023, após conhecer Almir em um bar de Cuiabá. De acordo com a investigação, os dois foram até a residência do ex-policial, onde houve um desentendimento. Segundo a denúncia, após a recusa da vítima em manter relações sexuais, Almir a agrediu, estuprou e matou por asfixia.

Depois do crime, ele tentou apagar vestígios, limpando o local, e colocou o corpo da advogada no porta-malas do próprio carro, abandonando o veículo no Parque das Águas.

O caso gerou ampla comoção e repercussão nacional, provocando protestos de entidades jurídicas e movimentos de defesa dos direitos das mulheres.

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