No mais recente desdobramento da investigação sobre o assassinato do advogado Renato Nery, a perícia no celular de Alex Roberto de Queiroz Silva, preso desde o dia 6 de março sob suspeita de ser o executor do crime, revelou informações comprometedores.
De acordo com as autoridades, Alex frequentava o Batalhão da Rotam, fato comprovado por um vídeo encontrado no seu aparelho, gravado após o homicídio, no qual ele aparece dentro das instalações militares.
Apesar disso, em depoimento à polícia, o caseiro negou conhecer ou frequentar o local.
As investigações da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), conduzidas pelo delegado Bruno Abreu, indicam ainda que Alex trocava mensagens com um indivíduo conhecido por antecedentes criminais de tráfico e homicídio.
Nessas conversas, ele relatava que “estaria indo em uma missão com a Rotam”.
Outro elemento descoberto pela perícia é que o celular em questão, um Apple iPhone, teria sido presenteado a Alex pelo policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, ex-integrante da Rotam e também preso.
A entrega do aparelho teria ocorrido no dia 11 de julho de 2024, mesma data em que foi forjado um confronto para plantar a arma usada no assassinato de Nery.
O caso envolve uma rede extensa de suspeitos. Na chamada Operação Office Crime – A Outra Face, deflagrada em março, além de Alex, foram presos os PMs da Rotam Leandro Cardoso, Wailson Alessandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides de Oliveira e Jorge Rodrigo Martins, apontados por envolvimento em homicídio, tentativa de homicídio e fraude processual. Heron Vieira entregou-se à DHPP no dia seguinte.
A Operação Office Crime teve continuidade com novas prisões em abril, quando a polícia deteve Kaster Huttner Garcia, acusado de transportar a motocicleta utilizada no crime, e os PMs Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira, este último atuante na Inteligência da Rotam e responsável, segundo a investigação, por providenciar a arma do homicídio.