Ativistas LGBT reagem após prefeito de Cuiabá barrar linguagem inclusiva

 

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), voltou ao centro de uma polêmica ao divulgar, nesta sexta-feira (1º), um vídeo nas redes sociais em que confronta o ativista LGBTQIA+ Juliãn Tacanã sobre o uso do pronome neutro. O embate ocorreu em meio à repercussão de um episódio recente na 15ª Conferência Municipal de Saúde, organizada pela Prefeitura.

No vídeo, Juliãn defende o uso de pronomes inclusivos, afirmando que “todes precisam ser respeitados”. Abílio rebateu com ironia:

“Todes não existe. Todes é chocolate. Todas as pessoas existem. Todos existem. Todes é uma palavra que não existe na língua portuguesa. Em qual dicionário está escrito ‘todes’?”

O prefeito criticou o uso do pronome durante uma palestra da professora Maria Inês Barbosa, realizada na quarta-feira (30), ao dizer que o evento foi transformado “em um ato de militância”.

“Usar um instrumento legal da Prefeitura, como a Conferência Municipal de Saúde, promovida e custeada pelo município, para promover pronome neutro, não vamos aceitar”, completou.


Ativistas reagem e acusam Abílio de desrespeito à população LGBTQIA+

A postura do prefeito provocou reação imediata nas redes sociais e entre representantes de movimentos LGBTQIA+. Juliãn Tacanã afirmou que o chefe do Executivo municipal desrespeitou publicamente a comunidade LGBT e reforçou a importância da representatividade e da linguagem inclusiva como forma de garantir direitos e visibilidade.

“Negar a existência do pronome neutro é, na prática, negar a existência de pessoas não-binárias. Foi um ato de intolerância”, disse o ativista, em vídeo publicado após o ocorrido.

O uso de pronomes neutros, como “todes”, “elu” e “delu”, vem sendo debatido em todo o país, principalmente em espaços públicos e educacionais, como parte de um movimento de inclusão de pessoas não-binárias. A linguagem ainda não é oficialmente reconhecida pela norma culta da língua portuguesa, mas seu uso cresce entre coletivos e instituições que buscam maior equidade de gênero.

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